A crise no Supremo Tribunal Federal ganhou mais um capítulo nesta semana — e chamou a atenção da imprensa estrangeira. Em reportagem publicada em 11 de setembro pela Al Jazeera (Catar), com informações de AFP e Associated Press, o veículo descreve como o STF “fechou mais cedo” ao cancelar, pela segunda vez seguida, uma sessão plenária, em meio a um embate público entre ministros da Corte.
Segundo a Al Jazeera, o presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, adiou os trabalhos do plenário e remarcou a próxima sessão para a semana seguinte, citando a turbulência interna entre os ministros. O texto liga o episódio ao noticiário que já vinha sendo acompanhado por agências internacionais nos últimos dez dias: a disputa aberta entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, deflagrada depois que Mendonça tornou públicos documentos da Polícia Federal.
O que motivou a crise, segundo a reportagem
De acordo com a Al Jazeera, os documentos divulgados por Mendonça em 1º de setembro mostrariam trocas de mensagens — cerca de 30 textos, segundo a reportagem — enviadas a um número de telefone associado a Moraes, partindo do banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde novembro de 2025 e apontado como responsável pelo colapso do Banco Master, rombo que a reportagem estima em mais de US$ 7 bilhões. Moraes reagiu acusando Mendonça de “abusar da autoridade na Corte para ganhos políticos”.
A reportagem também conecta o caso à campanha eleitoral: a família Bolsonaro apareceria no radar do escândalo porque o senador Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência, teria buscado financiamento de Vorcaro para um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — preso após condenação por tentativa de golpe. A Al Jazeera cita ainda buscas realizadas pela Polícia Federal na quinta-feira (10) mirando pessoas ligadas ao escândalo e ao projeto do filme, o mesmo caso que o blog já havia coberto a partir de reportagem da Bloomberg (leia: Bloomberg: PF mira filme sobre Bolsonaro).
Segunda sessão cancelada em dois dias
O ponto novo da reportagem de 11 de setembro é o cancelamento consecutivo de sessões do plenário. Fachin já havia suspendido a sessão de quarta-feira (9) — quando se esperava que os ministros se pronunciassem publicamente sobre a crise — e repetiu a decisão na quinta-feira (10), remarcando o julgamento do caso para a terça-feira seguinte. Cancelamentos de sessão são raros na história recente da Corte, e a Al Jazeera classifica o episódio como sinal de que a “paralisia” interna já afeta o funcionamento do tribunal, não apenas o debate político em torno dele.
A crise tem pano de fundo na atuação de Moraes como relator do inquérito das fake news e do processo que condenou Jair Bolsonaro pela trama golpista, além das suspensões de plataformas como X e Rumble por descumprimento de ordens judiciais — decisões que fizeram do ministro alvo preferencial da direita brasileira, segundo a reportagem.
O que diz a imprensa e as fontes brasileiras
A cobertura da Al Jazeera converge com o que a Agência Brasil, veículo público brasileiro, vinha registrando nos últimos dias. Em reportagem de 10 de setembro, a Agência Brasil confirmou que Fachin cancelou a sessão plenária pela segunda vez seguida “para evitar um encontro público entre os ministros” em meio ao racha entre as alas de Mendonça e Moraes, e apontou que o novo julgamento sobre o relatório da PF que liga Moraes a Vorcaro ficou marcado para terça-feira, dia 15. A agência citou ainda a chamada “guerra de liminares” travada entre os ministros como o episódio mais recente do embate — descrição próxima à usada pela reportagem estrangeira, embora a Al Jazeera dê mais destaque à dimensão eleitoral e à repercussão internacional do caso.
Um ponto de atenção: a Al Jazeera menciona “dezenas” de buscas da PF na quinta-feira relacionadas ao caso do filme; essa informação está alinhada com o que o próprio blog já havia relatado com base na Bloomberg, mas não é, até a publicação deste texto, o fato central do noticiário doméstico do dia — que seguiu concentrado no cancelamento da sessão do STF e na disputa institucional entre os ministros.
Por que isso importa para quem acompanha o Brasil
A crise no STF acontece a menos de um mês da eleição presidencial de outubro, num momento em que pesquisas já mostravam o senador Flávio Bolsonaro tecnicamente empatado com o presidente Lula, com parte dos institutos atribuindo o avanço do candidato de oposição justamente ao desgaste do Judiciário, segundo pesquisa noticiada pela Bloomberg (veja também: AP: crise no STF chega à Polícia Federal). Para investidores e observadores internacionais, a instabilidade institucional é um fator de risco adicional num ano já marcado por volatilidade cambial e disputa apertada nas urnas.
Do ponto de vista institucional, o episódio expõe uma divisão pouco usual dentro do STF, historicamente visto como um bloco coeso em decisões públicas. O adiamento repetido de sessões, mais do que o conteúdo específico das acusações trocadas entre Mendonça e Moraes, é o que tem motivado manchetes fora do país — justamente porque sinaliza que a disputa passou do campo do discurso para o funcionamento prático da Corte.
Perguntas frequentes
O que a Al Jazeera noticiou sobre o STF?
Que a Corte cancelou pela segunda vez seguida uma sessão plenária em meio à crise entre os ministros Mendonça e Moraes, com o presidente Fachin remarcando o julgamento do caso para a semana seguinte.
Por que Mendonça e Moraes estão em atrito?
Mendonça divulgou documentos da PF que, segundo a reportagem, mostrariam mensagens de Daniel Vorcaro — banqueiro à frente do colapso do Banco Master — endereçadas a um número associado a Moraes, que rebateu a divulgação classificando-a como uso político do cargo.
Isso tem relação com a eleição de outubro?
A reportagem liga o caso ao clima eleitoral porque o candidato Flávio Bolsonaro teria buscado recursos de Vorcaro para um filme sobre o pai, e porque pesquisas recentes mostram o desgaste do STF influenciando a disputa contra Lula.
A crise segue em aberto, com o STF remarcando os trabalhos para a próxima semana e o desfecho das apurações sobre o Banco Master ainda incerto. O blog acompanha o tema à medida que novos fatos forem confirmados por agências internacionais.


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