A agência Reuters publicou na noite de quinta-feira, 3 de setembro de 2026, uma reportagem sobre a eleição presidencial brasileira com o título, em inglês, “Lula’s lead over Flavio Bolsonaro narrows ahead of Brazil election, Datafolha poll shows” — em português, algo como “vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro encolhe antes da eleição no Brasil, mostra pesquisa Datafolha”. No dia anterior, 2 de setembro, a Bloomberg, dos Estados Unidos, já havia descrito a disputa como um empate técnico. A leitura das duas casas é convergente: a um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a corrida ficou mais apertada.

O que a Reuters noticiou

A Reuters baseou a matéria na pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro. No cenário de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 38% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 33%. O empresário e escritor Augusto Cury, tratado como nome de terceira via, subiu de 2% para 8%. Em um eventual segundo turno entre os dois primeiros, o levantamento apontou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% — diferença dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O ponto destacado pela agência é o movimento: na rodada anterior do mesmo instituto, de 21 de agosto, Lula tinha 39% e Flávio, 33% no primeiro turno, e a distância no segundo turno era maior. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre 1º e 3 de setembro. Segundo o Datafolha, esta é a menor diferença entre os dois desde maio.

O ângulo da Bloomberg

A Bloomberg trabalhou com outro instituto, a Quaest, cuja pesquisa para a TV Globo foi publicada em 2 de setembro. Nesse levantamento, o segundo turno aparecia com Lula em 42% e Flávio Bolsonaro em 41%, contra uma vantagem de três pontos para o presidente na sondagem anterior da mesma Quaest, em meados de agosto. No primeiro turno, a agência registrou Lula com 38% e Flávio com 31%.

A diferença de enquadramento está no motivo apontado. Enquanto a Reuters foca na mecânica da pesquisa, a Bloomberg amarra o aperto da disputa ao desgaste do governo com acusações de corrupção que, segundo a agência, envolvem um dos filhos do presidente. A casa americana classificou a corrida como “deadlocked in a virtual tie” (“travada em um empate virtual”, em tradução livre).

Contexto para o leitor brasileiro

Lula, de 80 anos, busca um quarto mandato. Do outro lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível e foi condenado pela Justiça, e a candidatura da direita ficou com o filho, o senador Flávio Bolsonaro. É a primeira eleição presidencial desde 2002 sem Lula ou Jair Bolsonaro no topo das duas principais chapas.

O Datafolha informou que a pesquisa captou apenas em parte a repercussão das mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e a um banqueiro ligado ao caso Banco Master — assunto que também apareceu na imprensa estrangeira e que tratamos em outro post do blog. O calendário eleitoral prevê primeiro turno em 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro.

O que dizem as fontes brasileiras

Os números citados pela Reuters batem com o que publicaram G1, Folha de S.Paulo e Estadão a partir do mesmo Datafolha: 38% para Lula e 33% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e 46% a 44% no segundo. A leitura de “empate técnico” no segundo turno é a mesma nos veículos brasileiros e estrangeiros.

A principal divergência não é de dado, e sim de método: Reuters e Bloomberg usaram institutos diferentes (Datafolha e Quaest), com datas de campo e formas de pergunta distintas. Por isso os percentuais de primeiro turno de Flávio Bolsonaro aparecem em 33% em um caso e 31% no outro. O sentido, porém, é o mesmo nas duas pesquisas: a vantagem de Lula no segundo turno diminuiu na comparação com agosto.

Convergências e divergências entre as coberturas

  • Convergência: as duas agências afirmam que a corrida apertou e que o segundo turno está em empate técnico.
  • Convergência: ambas mantêm Lula à frente no primeiro turno, com folga maior que no segundo.
  • Divergência de foco: a Reuters trata como oscilação de pesquisa; a Bloomberg liga o movimento a acusações que atingem o entorno do presidente.
  • Divergência de fonte: Datafolha (Reuters) e Quaest (Bloomberg), o que explica pequenas diferenças nos percentuais.

Al Jazeera e outros veículos internacionais vêm acompanhando a disputa desde agosto com a mesma tese de estreitamento. Nenhuma das coberturas estrangeiras crava um favorito para o segundo turno neste momento.

Links úteis

Leia também no blog

Perguntas frequentes

Quem está na frente na eleição de 2026?

Nas pesquisas de início de setembro, Lula lidera o primeiro turno (38% no Datafolha e na Quaest). No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, as duas pesquisas indicam empate técnico, com o presidente numericamente à frente por dois pontos ou menos.

Por que a imprensa estrangeira diz que a disputa “apertou”?

Porque, na comparação com agosto, a vantagem de Lula no cenário de segundo turno caiu. No Datafolha, a diferença passou de quatro para dois pontos; na Quaest, de três para um. Reuters e Bloomberg destacam esse movimento.

Quando são as eleições no Brasil?

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026. Se nenhum candidato à Presidência tiver mais de 50% dos votos válidos, o segundo turno ocorre em 25 de outubro.

Conclusão

Reuters e Bloomberg chegam à mesma conclusão por caminhos diferentes: a eleição brasileira entrou em setembro mais equilibrada do que estava em agosto. Lula segue na frente, mas a margem no segundo turno virou detalhe dentro da margem de erro — e é isso que a imprensa de fora está observando com atenção a um mês do voto.

Fontes: Reuters, Bloomberg, Datafolha (via G1, Folha e Estadão) e Quaest (via TV Globo). Percentuais sujeitos a nova aferição a cada rodada de pesquisa.

Deixe uma resposta

Designed with WordPress

Descubra mais sobre Renda Massiva

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo