A agência de notícias Associated Press (AP), dos Estados Unidos, publicou em 3 de setembro de 2026 uma reportagem assinada pela correspondente Eléonore Hughes, no Rio de Janeiro, sobre a aprovação, pelo Senado brasileiro, de um marco legal para a exploração de minerais críticos e estratégicos — com destaque para as terras raras. O texto da AP trata a decisão como um passo rumo à ampliação da exploração das reservas brasileiras, as segundas maiores do mundo, atrás apenas da China.
O que a AP noticiou
Segundo a AP, o Senado aprovou na noite de quarta-feira (2) o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta já havia passado pela Câmara dos Deputados em 6 de maio de 2026 e agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve assinar a medida.
A reportagem resume os principais pontos do texto: a criação de um arcabouço jurídico específico para terras raras e outros minerais considerados essenciais; um fundo para dar crédito e garantias a projetos de mineração; e incentivos fiscais para o processamento desses minerais dentro do Brasil. A AP também cita a instalação de um conselho de governo encarregado de definir projetos prioritários do setor.
O ângulo escolhido pela agência é o do potencial econômico. As terras raras — um conjunto de 17 elementos — são insumo de ímãs de alta performance usados em smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e motores de aviões. Com a disputa global por essas cadeias, o texto da AP enquadra a lei como uma tentativa do Brasil de transformar reservas em indústria, e não apenas exportar minério bruto.
A AP registra ainda uma fala do presidente Lula sobre o tema. Segundo a agência, o petista afirmou: “We’re not going to repeat what happened with silver and gold in Latin America” — em tradução livre, que o país não vai repetir o que aconteceu com a prata e o ouro na América Latina, quando a riqueza mineral saiu da região sem deixar desenvolvimento.
Contexto para o leitor brasileiro
Do lado brasileiro, a TV Senado confirma a aprovação em 2 de setembro, com relatoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM), e fala em até R$ 7 bilhões em incentivos para estimular produção, processamento e transformação dos minerais no país. A votação foi simbólica, sem registro nominal.
Reportagens da imprensa econômica nacional detalham a composição desse valor: cerca de R$ 5 bilhões em créditos tributários ao longo de cinco anos para quem processar os minerais localmente e um fundo garantidor de aproximadamente R$ 2 bilhões de aporte federal. Veículos brasileiros também destacam um ponto que a cobertura estrangeira menciona de forma mais discreta: o novo conselho governamental teria poder de escrutínio — e, em certos casos, de veto — sobre parcerias com empresas estrangeiras no setor.
Esse trecho ganha peso pelo pano de fundo internacional. Em abril de 2026, a norte-americana USA Rare Earth comprou a Serra Verde, em Goiás — até então a única produtora comercial de terras raras do Brasil — em uma operação avaliada em torno de US$ 2,8 bilhões. Desde então, cresceu o interesse do governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, em garantir acesso a minerais fora da China. A nova lei chega, portanto, no momento em que o Brasil discute quanto controle quer manter sobre um recurso que virou peça de geopolítica.
Convergências e divergências entre as coberturas
Os fatos centrais batem entre as fontes: aprovação no Senado em 2 de setembro, projeto vindo da Câmara desde maio, envio para sanção presidencial, criação de fundo e de incentivos fiscais na casa dos bilhões de reais. Não há divergência relevante sobre o conteúdo aprovado.
A diferença está no enquadramento. A AP e parte da cobertura em inglês tratam a lei como um estímulo à exploração e à atração de investimento. Já a Bloomberg deu ênfase ao aumento do controle estatal sobre transações do setor, citando alertas da indústria de que regras mais rígidas poderiam afastar capital externo. A imprensa brasileira, por sua vez, equilibra os dois lados e coloca a disputa entre EUA e China no centro da narrativa.
Há também a crítica ambiental. Segundo a AP, o Observatório do Clima — maior rede de organizações ambientais do país — afirmou que a lei amplia a flexibilidade regulatória sem contrapartidas econômicas, climáticas e socioambientais claras. A coordenadora Suely Araújo alertou que os minerais são necessários para a transição energética, mas que isso não pode virar um “cheque em branco” para a mineração.
Por que isso importa
Para o Brasil, a aposta declarada é sair da posição de exportador de matéria-prima e capturar as etapas de maior valor — separação, refino e fabricação de ímãs. É o mesmo debate que o país já trava em petróleo, minério de ferro e agora nos minerais da transição energética. O sucesso vai depender menos da lei em si e mais de energia barata, escala industrial e demanda garantida de compradores.
Para quem acompanha economia e investimentos, o recado é que a mineração de minerais críticos entrou no radar regulatório e geopolítico de vez. As decisões dos próximos meses — sanção presidencial, regulamentação e a primeira leva de projetos prioritários — vão indicar se o Brasil consegue combinar controle estratégico e investimento, ou se um lado vai sufocar o outro.
Perguntas frequentes
O que são minerais críticos e terras raras?
São minerais considerados essenciais para setores estratégicos e com risco de escassez ou concentração de fornecimento. As terras raras são um grupo de 17 elementos usados sobretudo em ímãs de alto desempenho, presentes em eletrônicos, veículos elétricos, energia eólica e defesa.
A lei já está valendo?
Ainda não. O texto foi aprovado pelo Senado em 2 de setembro de 2026 e segue para sanção do presidente Lula. Depois disso, ainda precisa de regulamentação para produzir efeitos práticos.
Por que a imprensa estrangeira deu destaque ao tema?
Porque o Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras e a disputa entre Estados Unidos e China por essas cadeias tornou o assunto geopolítico. A compra da produtora Serra Verde por uma empresa americana em 2026 aumentou o interesse internacional.
Conclusão
A cobertura da AP mostra o Brasil tentando organizar a exploração de um recurso que virou ativo estratégico global. O texto aprovado une incentivo bilionário e controle estatal — e é essa combinação que os próximos passos, da sanção à regulamentação, vão testar na prática.
Fontes: Associated Press (Eléonore Hughes, 3/9/2026); reportagem da AP; Bloomberg; TV Senado.

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