Vender no Enjoei virou o primeiro passo de muita gente que quer transformar armário lotado em dinheiro no fim do mês. O Enjoei é o maior brechó online do Brasil, com cerca de 7,5 milhões de usuários cadastrados, e permite que qualquer pessoa com CPF abra uma lojinha em poucos minutos, sem estoque, sem CNPJ e sem investimento inicial. Só que existe uma diferença grande entre criar um anúncio e realmente ver o pagamento cair na conta. As taxas consomem quase um quinto de cada venda, a concorrência é enorme e o aplicativo esconde quem não cuida da vitrine. Neste guia você encontra o passo a passo completo para começar hoje, o cálculo real de quanto sobra depois das taxas, técnicas de foto e precificação que aumentam a conversão, e os erros que fazem o vendedor iniciante desistir na primeira semana. É conteúdo prático, sem promessa de renda fácil: vender peças usadas dá trabalho, mas continua sendo uma das formas mais acessíveis de gerar uma renda extra no Brasil de 2026.

Índice

O que é o Enjoei e por que ele cresceu

O Enjoei nasceu em 2009 como um blog em que Ana Luiza McLaren vendia as próprias roupas usadas. Virou loja virtual em 2012, recebeu aportes de fundos de investimento e, em 2020, abriu capital na Bolsa brasileira (B3) sob o código ENJU3. Hoje é uma plataforma de “consumo colaborativo”: conecta quem quer se desfazer de coisas com quem procura peça de marca por preço menor. O modelo é de marketplace, ou seja, o Enjoei não compra o seu produto — ele apenas hospeda o anúncio, intermedeia o pagamento e cobra uma comissão quando a venda acontece.

Esse crescimento acompanha uma tendência maior. O mercado de segunda mão no Brasil já movimenta cifras relevantes: segundo levantamento do Sebrae/SP citado pela imprensa, o setor de brechós deve movimentar cerca de R$ 24 bilhões em 2025, e existem mais de 118 mil brechós ativos no país, alta de 31% em cinco anos. O número de empregos formais no comércio de artigos de segunda mão mais que dobrou (+115%) entre 2020 e 2024, crescimento mais rápido que qualquer outro ramo do varejo. A moda circular cresce entre 15% e 20% ao ano e há projeções de que o usado ultrapasse a fast fashion até 2030. Traduzindo: existe demanda real do outro lado da tela quando você decide vender no Enjoei.

Vale entender o contexto de quem vende. A pressão por renda complementar é enorme no país — mais da metade dos trabalhadores brasileiros já precisa de uma renda extra para fechar o mês, como mostramos no artigo sobre a pesquisa da Serasa sobre trabalhadores e renda extra. Nesse cenário, vender o que está parado em casa é o ponto de entrada de menor risco: você não gasta nada para testar.

Quanto custa vender no Enjoei: taxas e comissões reais

Aqui está a parte que o vendedor iniciante costuma ignorar e depois reclama. O Enjoei cobra comissão de 18% sobre o valor da venda mais uma tarifa fixa que varia conforme a faixa de preço do produto. As faixas divulgadas em guias especializados são aproximadamente:

  • Produtos até R$ 15: tarifa em torno de R$ 2,50
  • Entre R$ 16 e R$ 50: tarifa em torno de R$ 5,50
  • Entre R$ 51 e R$ 70: tarifa em torno de R$ 7,50
  • Faixas maiores: tarifa sobe progressivamente, chegando a cerca de R$ 27,50 em produtos acima de R$ 500

Um exemplo prático: você anuncia uma jaqueta por R$ 50. A comissão de 18% é R$ 9,00. A tarifa fixa da faixa é R$ 5,50. Total de custos: R$ 14,50. Você recebe R$ 35,50 — cerca de 71% do preço anunciado. Quanto mais barato o item, maior o peso proporcional da tarifa fixa: numa peça de R$ 15, os R$ 2,50 de tarifa somados aos R$ 2,70 de comissão já levam mais de um terço do valor.

Atenção a uma regra que pega muita gente: se você atrasar o envio além do prazo, a comissão pode dobrar. E o dinheiro não cai na hora. O pagamento é processado pelo Enjubank, a carteira digital da própria empresa, e o saldo costuma ficar disponível cerca de 15 dias corridos após a confirmação de entrega. Só depois você transfere para a sua conta bancária. Planeje o fluxo de caixa contando com esse intervalo.

É por causa dessas taxas que aparecem reclamações em portais como o Reclame Aqui, geralmente de vendedores que trabalham com margem apertada ou que giram produto novo. Para quem vende item pessoal usado, cujo “custo” já foi pago há tempos, a conta costuma fechar. Para revenda com margem mínima, dificilmente. Saiba em qual grupo você está antes de investir tempo.

Quanto dá para ganhar: simulação real de um mês

Números redondos ajudam a ter expectativa realista. Imagine que você faça uma faxina no armário e separe 40 peças em bom estado: roupas de marca popular, dois pares de tênis e uma bolsa. Precificando entre R$ 20 e R$ 120, com ticket médio de R$ 45, um vendedor iniciante organizado costuma vender de 25% a 40% do estoque nos primeiros 30 dias — digamos 12 peças.

  • Faturamento bruto: 12 vendas × R$ 45 = R$ 540
  • Comissão de 18%: −R$ 97,20
  • Tarifa fixa (média de R$ 5,50 por venda): −R$ 66,00
  • Embalagem e deslocamento aos Correios: −R$ 25,00 aproximadamente
  • Sobra líquida no primeiro mês: cerca de R$ 350

São R$ 350 por um estoque que já estava pago e parado. No segundo mês, com a vitrine madura, avaliações positivas e reposição de anúncios, é comum esse número subir para a faixa de R$ 500 a R$ 800 sem aumentar o esforço de fotografia, porque a loja passa a aparecer mais nas buscas. Quem trata como renda extra séria e alimenta o estoque comprando bem em bazares e desapegos de amigos chega a ultrapassar R$ 1.000 mensais — mas aí já virou um pequeno negócio com rotina, não um bico de fim de semana.

Passo a passo para criar sua loja

  1. Cadastro gratuito: baixe o aplicativo ou acesse o site, entre com a conta Google ou crie do zero informando nome, e-mail, CPF e endereço. O CPF é obrigatório porque o Enjoei emite os repasses e reporta os valores.
  2. Configure sua lojinha: escolha um nome, escreva uma bio curta dizendo o que você vende (ex.: “desapego de roupas femininas P e M, tudo higienizado”) e defina seu endereço de origem para o cálculo de frete.
  3. Toque em “Quero vender” e depois em “Criar novo anúncio”.
  4. Fotografe o produto: são permitidas até 5 imagens por item. Use todas.
  5. Escreva título e descrição: a descrição exige no mínimo 30 caracteres. Informe marca, tamanho, cor, tecido, medidas e estado de conservação com honestidade.
  6. Defina categoria, condição (novo ou usado) e preço. O preço mínimo por item costuma ser R$ 9.
  7. Escolha o envio: Correios, transportadora parceira (como Jadlog) ou retirada em mãos.
  8. Publique. O anúncio entra no ar na hora e passa a aparecer nas buscas e nas vitrines por categoria.

Comece publicando de 10 a 20 peças de uma vez. Loja com poucos itens transmite menos confiança e aparece menos. Se você tem muita coisa parada, esse volume inicial também ajuda o comprador a “fechar carrinho” com vários itens seus e diluir o frete.

Como tirar fotos que vendem

No brechó online, a foto é a vitrine, o provador e o vendedor ao mesmo tempo. Quem compra usado tem medo de receber algo diferente do anunciado, então a imagem precisa reduzir essa insegurança. Regras práticas:

  • Luz natural, sempre. Fotografe de dia, perto de uma janela, sem flash. Flash distorce cor e textura.
  • Fundo neutro. Parede branca, uma porta lisa ou um lençol claro. Elimine bagunça e sombra forte.
  • Mostre o item inteiro e os detalhes. Uma foto geral, uma da etiqueta com marca e tamanho, uma da modelagem (no cabide ou vestido) e uma dos pontos de desgaste, se houver.
  • Fotografe defeitos de propósito. Bolinha de tecido, pequena mancha, barra desfeita: registre e cite na descrição. Isso derruba a taxa de devolução e reclamação.
  • Padronize. Mesma distância, mesmo enquadramento, mesma iluminação em todos os anúncios. A vitrine fica profissional e o comprador confia mais.

Não precisa de câmera cara. Um celular de entrada, luz de janela e dez minutos de organização resolvem. Se quiser explorar melhor o potencial do aparelho para gerar renda, vale ler o guia sobre como usar o celular como máquina de fazer dinheiro.

Precificação: como não sair no prejuízo

A pergunta certa não é “quanto eu paguei nisso”, e sim “por quanto isso vende hoje, usado, nesta plataforma”. Passo a passo para precificar:

  1. Pesquise dentro do próprio Enjoei. Busque a mesma marca e modelo, filtre por “vendidos” quando possível e veja a faixa real de fechamento, não só o preço pedido.
  2. Parta de 30% a 50% do valor de nova para peça em bom estado de marca popular. Marcas premium seguram mais valor; fast fashion sem etiqueta vale pouco.
  3. Embuta as taxas. Se você quer receber R$ 40 líquidos numa faixa com tarifa de R$ 5,50, precisa anunciar por volta de R$ 55 (18% + tarifa).
  4. Use a margem para negociar. O Enjoei tem a função de proposta. Deixe uns 10% a 15% de folga no preço para aceitar ofertas sem perder dinheiro.
  5. Reveja a cada 30 dias. Item parado há um mês provavelmente está caro. Baixe 10% ou destaque de novo.

Peças de valor muito baixo (abaixo de R$ 20) raramente compensam individualmente por causa da tarifa fixa e do trabalho de embalar e postar. Nesses casos, monte “kits” — três camisetas por R$ 45, por exemplo — para melhorar a relação entre esforço e retorno.

Frete, envio e prazos

O frete no Enjoei é calculado pela plataforma com base no CEP de origem e destino e no peso informado. O comprador paga o frete, mas um valor alto trava a venda. Por isso: pese e meça a embalagem com sinceridade (peso a mais encarece), reaproveite embalagens limpas e ofereça retirada em mãos se você mora em cidade grande — muita gente prefere buscar e economizar.

Depois da venda confirmada, você tem um prazo (em geral até 5 dias úteis) para postar e inserir o código de rastreio no aplicativo. Esse é o ponto mais sensível da operação: atraso pode dobrar a comissão e derrubar sua reputação. Só anuncie o que você consegue postar rápido. Se vai viajar, coloque a loja no “modo férias”.

Guarde sempre o comprovante de postagem. Em caso de extravio ou de comprador que alega não ter recebido, o comprovante com código de rastreio é a sua proteção para o Enjoei liberar o pagamento.

Reputação e relacionamento com o comprador

O algoritmo do Enjoei favorece lojas ativas e bem avaliadas. Três hábitos que aumentam vendas sem custo nenhum:

  • Responda rápido. Perguntas respondidas em até 24 horas convertem muito mais. A demora esfria o interesse.
  • Atualize a vitrine com frequência. Publicar ou “reciclar” alguns anúncios por semana mantém a loja visível nas buscas.
  • Capriche no pós-venda. Embale com cuidado, escreva um bilhete simpático e agradeça. Avaliação 5 estrelas é o que sustenta o próximo mês.

Trate como um negócio de verdade, mesmo pequeno. Anote o que entrou e o que saiu em taxas e frete. Se a coisa crescer e virar revenda recorrente, considere formalizar como MEI — 90% dos empreendedores de brechó no Brasil operam nesse formato, segundo dados do setor. Informações oficiais sobre o microempreendedor individual estão no Portal do Empreendedor do governo federal.

Enjoei Pro vale a pena?

O Enjoei oferece um serviço “Pro”, em que a própria plataforma cuida de parte do processo (curadoria, divulgação reforçada e, em alguns formatos, logística). Em troca, a comissão sobe bastante — chega a faixas de 35% a 45% dependendo do valor da peça, mais tarifa. Faz sentido para quem tem muito volume, itens de ticket alto e nenhum tempo para gerenciar anúncios. Para o vendedor iniciante que está testando o modelo com o armário de casa, o plano padrão é mais do que suficiente. Comece simples, entenda a dinâmica e só migre se a conta fechar melhor com o serviço pago.

Se o seu objetivo é montar uma operação de revenda mais estruturada, com compra e margem, talvez o caminho seja outro modelo de e-commerce. Compare com o que explicamos no guia sobre print on demand no Brasil antes de decidir onde colocar sua energia.

Erros comuns de quem está começando

  • Anunciar só 3 ou 4 itens. Loja pequena não ganha tração. Publique dezenas.
  • Fotos escuras e amassadas. É o motivo número um de anúncio parado.
  • Preço de “quanto eu paguei”. Ninguém compra usado pelo preço de novo.
  • Ignorar as taxas na hora de precificar e depois se sentir roubado no repasse.
  • Atrasar o envio. Dobra comissão, gera avaliação ruim e queima a loja.
  • Descrição vaga. Sem medidas e sem citar defeitos, aumenta devolução e discussão.
  • Sumir depois de vender. Reputação no Enjoei é construída todo dia.

Evitar esses sete erros já coloca você à frente da maioria dos vendedores casuais da plataforma.

Perguntas frequentes

Precisa de CNPJ para vender no Enjoei?

Não. Pessoa física com CPF pode abrir loja e vender. Se a atividade virar recorrente e com volume alto, formalizar como MEI traz vantagens fiscais e de emissão de nota, mas não é exigência para começar.

Quanto o Enjoei desconta de cada venda?

No plano padrão, 18% de comissão mais uma tarifa fixa que varia de cerca de R$ 2,50 a R$ 27,50 conforme a faixa de preço do produto. Na prática, você recebe algo entre 65% e 80% do valor anunciado, dependendo do ticket.

Quando o dinheiro cai na conta?

O saldo fica disponível no Enjubank cerca de 15 dias corridos após a confirmação de entrega ao comprador. De lá, você solicita a transferência para a sua conta bancária.

Dá para viver só de vender no Enjoei?

Para a maioria das pessoas, não. É excelente como renda extra e como forma de desapegar ganhando dinheiro. Viver disso exige volume constante de estoque, curadoria de peças com boa saída e trabalho diário de fotografia, anúncio e logística — aí já é um negócio, não um “bico”.

O que vende mais rápido no Enjoei?

Roupas e calçados femininos de marcas conhecidas em bom estado, bolsas, itens de grife com autenticidade comprovável, eletrônicos funcionais e peças infantis. Item genérico, sem marca e muito usado tem saída lenta.

Conclusão

Vender no Enjoei não é esquema de renda rápida, mas é um dos pontos de partida mais baratos e realistas para gerar dinheiro com o que você já tem em casa. O mercado de segunda mão está em alta no Brasil, existe comprador do outro lado e o cadastro não custa nada. O segredo está no básico bem feito: publicar volume, fotografar com luz natural, descrever com honestidade, precificar já embutindo as taxas de 18% mais tarifa fixa, postar no prazo e cuidar da reputação todo dia. Faça as contas de quanto realmente sobra, comece com 15 ou 20 peças ainda esta semana e reinvista o aprendizado nas próximas.

Gostou do guia? Compartilhe com alguém que tem o armário lotado e vive dizendo que precisa de uma renda extra, deixe nos comentários qual categoria você pretende vender primeiro e aproveite para ler outros guias práticos de renda extra aqui no Renda Massiva.

Fontes consultadas: Wikipédia — Enjoei; Nuvemshop — Como vender no Enjoei; Exame — O mercado de segunda mão; Central do Enjoei — Como vender. Taxas e prazos podem mudar; confirme sempre nas condições vigentes da plataforma.

Uma resposta para “Como Vender no Enjoei em 2026: Guia Completo para Iniciantes”

  1. […] outras plataformas — vale comparar com o guia de taxas da Shopee em 2026 e com o passo a passo de como vender no Enjoei antes de decidir onde concentrar o […]

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